Foi mobilizada pelo Edital da Lei Paulo Gustavo que decidi, em 2024 implementar o projeto “Ivoti É…” em meu município, uma proposta inicial de 3 vídeos de 1 minuto junto de moradores e moradoras da cidade. Penso que a arte adentra camadas, toca subjetividades, mobiliza, aproxima. Enquanto multiartista, acredito que ela salva vidas.
A inspiração surgiu ao contemplar um trabalho Audiovisual da artista Vera Chaves Barcellos, denominado “Mulheres pelo Mundo” – ainda disponível no YouTube. Nele, a artista documenta a face de mulheres ao redor do mundo com distintos sotaques, formas de vestir e, claro, de várias nacionalidades.
Percebendo uma imensa transformação também no cenário do município onde habito, surgiu a ideia de traçar proposta semelhante: elaborar, em vídeos curtos, uma montagem com moradores e moradoras da cidade falando seus nomes, de onde vêm e há quanto tempo estão aqui.
Naturalmente, para isto a ideia foi percorrer distintos bairros da cidade e conversar com pessoas de variadas idades: crianças, pré-adolescentes, adultos e idosos. Escutar e valorizar as linguagens, as histórias, os caminhos que cada um percorreu até aqui: tanto os que chegaram há pouco, quanto aqueles que habitam esta terra há gerações.
Entre os depoimentos, portanto, estão tanto os de pessoas que foram nascidas e criadas na cidade de Ivoti – residindo até hoje por aqui – quanto de moradoras e moradores que estão há menos de um ano na cidade. Há, a título de ilustração, depoentes que vieram de Pernambuco, Amazonas e Ceará.
A ideia parte do pressuposto de que dizer seu nome e partilhar sua história é uma forma de dignificar a existência de alguém. Esta é a força mobilizadora e transformadora da arte: os vídeos trazem simplesmente nomes e locais de origem, mas a conexão nos bastidores, os percursos vividos que me foram relatados, creio que fortaleceram os depoentes e minha autoestima enquanto artista e produtora cultural.
No decorrer do processo, transformações estruturais acontecem. Mudanças de percurso. Houve, ainda, um período de calamidade pública em meio às enchentes de maio de 2024.
Mas assim é: quando assumimos um projeto, existe um compromisso em finalizá-lo. E assim o fiz, da melhor maneira que pude. Trabalhar no Brasil com Audiovisual, em orçamentos que às vezes são bastante apertados, ainda é muito desafiador. Mas seguiremos.
Vejamos o que o futuro reserva. Os vídeos produzidos podem ser acessados aqui:
Deixo um agradecimento especial a tod@s que comigo compartilharam as suas histórias.